

Liam e a mãe dele sentam no chão da cozinha. O sol vai baixando, e o girassol projeta uma sombra comprida pelos azulejos. Nenhum dos dois fala nada. A planta sabe para onde a luz estå indo, e Liam também sabe.
One of one. Yours forever.
A Lumora story
printed for Liam
lumora.kids

Na tarde seguinte, Liam puxou a mĂŁe pela mĂŁo atĂ© a cozinha. Ergueu o grĂĄfico â doze horas de Ăąngulos, todos formando um arco bem arrumado. O girassol se inclinava direto para a janela, exatamente onde o sol estava. "Ele segue", disse Liam. "Sozinho."


Naquela noite, Liam colou o olho no telescĂłpio e encontrou a lua: parada, pĂĄlida, cheia de crateras. Mas a lua nĂŁo estava parada nem um pouco â ela puxava as marĂ©s, guiada pela mesma luz que girava o seu broto. Tudo, ele pensou, se move em direção a alguma coisa.


No Ășltimo desenho, Liam conseguiu ver com clareza: uma linha curva, hora a hora, acompanhando o caminho lento do sol pelo cĂ©u. O broto tinha seguido cada passo. Ele nĂŁo estava parado nem um pouco â tinha se mexido o tempo todo, perseguindo a luz como uma agulha de bĂșssola procurando o norte.


Liam levou o caderno para fora. A cada hora, desenhava onde o sol estava no cĂ©u, depois voltava correndo e desenhava o Ăąngulo do caule do broto. Fez isso seis vezes. Dois desenhos, um do lado do outro, hora apĂłs hora â sol e planta, planta e sol.


Liam se sentou na mesa e ergueu o prisma de vidro. Uma faixa de cores se abriu pela parede â vermelho, depois amarelo, depois azul. O prisma nĂŁo estava criando aquela luz. Ele sĂł estava dobrando o que jĂĄ estava ali, invisĂvel, passando pela janela. Liam pousou o prisma e olhou para a planta.


Passaram-se horas. Liam levantou a cĂșpula de plĂĄstico e olhou lĂĄ dentro. O broto tinha se curvado de lado, encostando a cabecinha em direção Ă mesma janela iluminada. A barreira nĂŁo tinha adiantado nada.


Liam tinha uma teoria nova: uma corrente de ar estava empurrando a planta. Ele virou um pote de plåstico transparente de cabeça para baixo em cima do vaso e apertou as beirinhas firme contra a terra. Agora nenhum ar conseguia entrar. Escreveu "ar bloqueado" no caderno e ficou esperando.


O cĂrculo de giz ainda estava lĂĄ, fininho e branco, exatamente onde Liam tinha desenhado. O vaso nĂŁo tinha se mexido nem um pouquinho. Mas a planta tinha voltado para a janela, quieta como antes. Liam ficou olhando para ela por um bom tempo.


Liam tinha uma teoria: alguĂ©m estava virando o vaso. Pegou o giz da gaveta e desenhou um cĂrculo bem caprichado em volta da base, colado no barro vermelho. Se o vaso se mexesse, o cĂrculo ia quebrar. Ele se afastou e ficou olhando para a linha, depois para a planta, depois para o gato dormindo no cantinho.


Naquela tarde, Liam voltou até o vaso vermelho e parou. As folhinhas estavam apontando para o outro lado agora, bem na direção da porta do jardim. Ele ficou bem quieto, olhou para o caderno, depois olhou para a planta. Alguma coisa tinha se mexido.


Numa manhĂŁ, um broto verdinho tinha furado a terra e aparecido lĂĄ em cima. Liam encostou a rĂ©gua bem pertinho dele e anotou o nĂșmero. As duas folhinhas pĂĄlidas apontavam para a janela da cozinha, quietinhas e paradas. Ele desenhou uma setinha caprichada no grĂĄfico.


Liam enterrou uma sementinha na terra escura e colocou o vaso vermelho no peitoril da janela da cozinha. Abriu o caderno numa pĂĄgina em branco e desenhou uma tabela cheia de linhas vazias, esperando para ser preenchidas. No topo, escreveu: Dia 1. Altura:Â 0.


Liam gostava de encontrar as regras escondidas dentro das coisas. Ele seguia as trilhas das formigas pela calçada e anotava cada medida no seu caderno quadriculado. NĂșmeros, distĂąncias, direçÔes â tudo ia parar nos quadradinhos, com letra miudinha e caprichada. O mundo fazia sentido quando vocĂȘ olhava de pertinho.

for Liam
O mundo inteiro Ă© feito para descobrir.
A Lumora story
printed for Liam



