


Laura largou a pega da lanterna devagar, junto de Faúlula. Depois deitou-se na sua cama de nuvem, macia e quente. O jardim dormia, e ela dormiu também.
Único no mundo. Seu para sempre.
Uma história Lumora
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As trepadeiras prateadas pararam de tremer. Nenhuma estrela piscava mais. A Lua Crescente fechou devagar os seus olhos de luar, e o jardino todo ficou quieto e escuro.


Faúlula chegou-se para junto da luz dourada e o corpo pequeno deixou de tremer. Suspirou devagar, um suspiro comprido. ― Um sopro de névoa, um brilho macio, adormece a estrela na curva do rio ― cantaram as duas juntas, baixinho, até Faúlula fechar os olhos.


Laura segurou a lanterna de vidro dourado com as duas mãos. Deitou-a devagar no fundo escuro da nuvem, junto de Faúlula. A luz dourada abriu um círculo quente na sombra.


Faúlula não corria mais. Olhava para o fundo escuro da nuvem, pequenina, e tremia. Laura parou e olhou também: ali não havia nenhuma sombra que quisesse brincar, só um canto sem luz nenhuma.


Laura pousou Faúlula na nuvem mais funda do jardim e cantou baixinho: ― Um sopro de névoa, um brilho macio, adormece a estrela na curva do rio ―. Faúlula olhou para a sombra escura ao fundo e recuou dois passos. As suas pontas tremeram, pequenas e frias, sem um pingo de sono.


A trepanteira ainda tremia quando a Lua Crescente se inclinou devagar no céu. Laura parou e olhou para cima. — A noite precisa de silêncio para adormecer — disse a Lua Crescente.


Faúlula girou e escapou da fita de luar. A trepadeira prateada abanou com o salto, folha a folha. Laura olhou para trás: as duas estrelas na cama de névoa mexeram-se, quase a acordar.


Laura subiu à nuvem mais alta, atrás de Faúlula. Segurou uma fita de luar e tentou envolver a estrelinha com ela. Faúlula girou depressa, escapou por entre os dedos de Laura e riu-se.


Laura cantou baixinho: ― Um sopro de névoa, um brilho macio, adormece a estrela na curva do rio ―. Duas estrelas fecharam os olhos nas almofadas de névoa. Mas Faúlula saltou da cama e correu para o ramo mais alto da trepadeira.


Laura pousou a mão perto da primeira trepadeira. As estrelinhas viram a luz e saltaram, flor a flor, como faíscas soltas no ar. Laura ria e tentava outra vez, mas nenhuma parava para ser apanhada.


Laura entrou no jardim das nuvens, com a lanterna de vidro na mão. O céu era violeta, fundo como um poço. Nas trepadeiras prateadas, pequenas estrelas piscavam, uma a uma.

para Laura
Laura flutua num jardim nas nuvens para adormecer pequenas estrelas antes que a noite termine.
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