

O vento os carrega bem alto, e o céu está aberto e limpo. Kai ergue o catavento e ele gira e gira, uma rodinha brilhante contra todo aquele azul. As penas de Sol voltam a brilhar como ouro, e os dois pegam o vento de volta para casa.
Único no mundo. Seu para sempre.
Uma história Lumora
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Algo lá no fundo do poço se mexeu. Então o vento saiu — não devagar, mas de uma vez só, passando pelo rosto de Kai numa rajada fresca e luminosa. Lá embaixo, os rios de luz se quebraram em mil pequenas ondas.


Kai levantou o catavento e soprou com toda a força que tinha. As pás de papel giraram rápido e soltaram um assobio fino e claro. O som desceu pelo poço escuro como uma pedrinha caindo n'água.


Sol bateu suas grandes asas com força, mas o vento só roncou mais alto. Kai pousou a mão na asa de Sol e balançou a cabeça. O vento não precisava de um empurrão — precisava de uma canção.


Na beira do terraço, um enorme abismo de pedra se abria no chão. Era largo como uma casa e tinha o formato de uma flauta. Lá no fundo, o vento estava enrolado e quieto, soltando roncos lentos e profundos.


Sol pousou numa grande prateleira de nuvem e fechou as asas. As pedras estavam frias e quietas sob suas patas. Kai apoiou a mão no lado de Sol e sentiu a respiração lenta e cansada subir e descer, devagar.


As montanhas à frente estavam envoltas numa névoa cinzenta e grossa. Ela pressionava as penas douradas de Sol até apagar seu brilho. Kai sentia o frio úmido no rosto, e o ar cheirava a pedra molhada.


Lá embaixo, os rios se estendiam planos e quietos, brilhando como espelho no ar calmo. Nenhuma ondinha cruzava a água, nem a menor delas. Kai olhou para baixo e sentiu o quanto aquele silêncio era fundo.


Kai se segurou bem forte, e Sol saltou para o alto. O ar estava denso e imóvel, como nadar em algo pesado. Sol batia as asas com força, mas o vento não chegava.


Kai ergueu o catavento. Ele ficou parado no ar pesado, sem se mover. Sol inclinou a cabeça e tocou as pás de papel com o bico — e os dois souberam o que precisavam fazer.


Um pássaro dourado desceu do céu quieto e pousou na grama ao lado de Kai. Seu nome era Sol, e suas penas estavam pesadas e caídas. Sem vento, nem uma fênix conseguia voar.


A manhã estava parada. Nenhuma folha se movia, nenhum fio de grama se dobrava. Kai ficou no jardim segurando seu catavento de papel bem alto, mas as pás não giravam.

para Kai
Para despertar o vento, ele precisava cavalgar o fogo.
Uma história Lumora
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